Bom, antes de escrever qualquer coisa, acho melhor esclarecer que nunca tive o costume de escrever em diários, relatórios e muito menos em blogs. Por isso, erros serão freqüentes tanto na gramática, quanto na concordância, porque, aliás, sou da área de exatas...trabalho com números, e sobre letras, só conheço as de músicas(risos).
Sendo assim, devo ter um bom motivo pra começar a escrever, pois senão, não o faria.
Então ta. O que desejo contar é o seguinte:
“Hoje, dia 08 de Setembro de 2010, quarta-feira e feriado na minha linda Curitiba. Como muitos, tive que trabalhar hoje, trocando a folga da quarta pela segunda. Acordei cedo, me arrumei e sai. Até aí, tudo bem. Então entrei no ônibus do Bairro Novo A. Estava mais lotado que de costume. Pensei comigo: “Puxa, feriado hoje... menos ônibus.”. Mais beleza, não tinha motivos pra alterar meu humor. Alguns pontos depois, o ônibus lotou(normal, é a lei da natureza). O motorista, mesmo assim, continuou parando nos pontos seguintes para embarcar mais seres humanos. O problema começa aí. Chegou um momento em que não entrava mais gente, então o motorista desligou o ônibus e disse o seguinte:
- Pessoal, vamos colaborar, que enquanto vocês não forem para trás e essas pessoas não entrarem, eu não vou sair daqui.
Pra mim, tudo bem. O cara está fazendo o trabalho dele, está sendo compreensivo com as pessoas que estão fora do ônibus. Nada mais justo, porque as pessoas não têm culpa de no feriado o número de ônibus serem reduzidos a mixaria. Então é aí que entra a ignorância do ser humano, é aí que entra o egoísmo, é aí que entra a maldade dos homens. Alguns passageiros (que por sinal, estavam com o lugarzinho garantido, lógico) começaram a retrucar, dizendo que estavam atrasados e que no “busão” não cabia mais ninguém. Mais beleza, o motorista venceu a primeira batalha, e então as pessoas resolveram colaborar, e mais alguns integrantes da raça Homo Sapiens Sapiens conseguiram entrar no ônibus.
No próximo ponto, filme repetido, e de novo as pessoas começaram a reclamar. No princípio, eram só pessoas de má índole(popularmente conhecidas como maloqueiros, manos-firmeza, peões) que se acharam no direito de movimentar a língua em harmonia com as cordas vocais para expelirem frases ofensivas ao motorista. Mas logo, pessoas que considero serem líderes de famílias (não sou machista, aqui está incluso homens, mulheres, senhores e senhoras), aquelas que devem ser exemplos para as próximas gerações de sua espécie aderiram calorosamente ao coral e completaram a sinfonia. Frases do tipo “Tá pensando que isso aqui é sardinha?” repercutiram intensamente dentro do ônibus. As pessoas do lado de fora, pediram, por favor, pois iam se atrasar. Cheguei a escutar o lindo verso “Azar o seu, acorde mais cedo!”. Azar o meu, pois do meu lado estava uma mulher que esbravejava e latia (me perdoe cães, vocês não são dignos de serem rebaixados a esse nível de comparação) coisas absurdas. Ameaças, xingamentos e até a máxima de que o motorista “ganhava por passageiro” ecoou dentro das paredes do veículo de transporte público. Público? Estavam pensando que eram os donos do trambolho, só porque haviam pagado míseros R$ 2,20. Após alguns minutos de confraternização, o caminhão de carga humana partiu, deixando pra trás algumas pessoas que infelizmente não puderam entrar.
Bom. Apesar da indignação, nada disso alterou meu estado de espírito. Pra não mentir, a única coisa que passou em minha mente foi a de que o motorista estava arranjando pra cabeça em tentar fazer a experiência da paciência com os passageiros ao parar em mais um ponto. Pronto. Tava feito o boro-bodó. O motorista se pronunciou (incrível, o cara realmente tinha peito pra lidar com o povão... quem sabe daqui alguns anos se candidate à algum cargo) dizendo que não ganhava por passagem, e que estava fazendo isso por necessidade, por falta de ônibus. E os passageiros? Nossa, enfurecidos por suas ambições expeliam fumaça pelas narinas enquanto em suas bocas saiam chamas infernais. A mulher do meu lado, coitada, cegada por uma razão que no meu ponto de vista de nada adianta chegou a dizer:
-Quer fazer caridade? Então compra um ônibus!
Falou a juíza. Que direito ela tem de estar dando sentenças? Se for tão fácil assim, compra um jatinho particular, e nunca mais ande de ônibus. E o pelotão? Quase que inteiro, começou a praticar o português na forma vulgar e banal, enquanto na porta da frente se travava uma batalha épica onde mais humanóides desejavam entrar no aclamado “busão”. No meio de tanta gritaria e declarações de amor, eu me senti um extraterrestre. Pensei que em algum lugar do passado, eu devia ter caído junto com um asteróide na terra, e que eu não era daquela espécie tão “hospedeira e compreensiva”. Não deu nem tempo de formar uma rusga em minha testa, que ao olhar para frente, uma senhora estava me olhando. Não foi preciso dizer nada. O olhar sereno dela foi tão penetrante que pude entender que ela também pensava como eu, que ela também não se deixava abater nem dominar por pensamentos maquiavélicos. Foi nesse momento, que uma chama de esperança acendeu em mim, onde pensei que graças ao Poderoso e Bondoso Senhor, ainda existiam alguns humanos que estavam dispostos a resistirem ao mal, que ainda praticam o mandamento esquecido “Amai o próximo como a ti mesmo”. Foi ai que resolvi escrever essa nota.
Bom, o resto da viagem até o terminal foi “tranqüilo e amigável”. Pelo menos pra mim, pois não permiti que minha áurea se manchasse com a maldade daqueles. Mas ainda podia se escutar indignações e blefes dos tão sábios passageiros.
Saí do Bairro Novo A, e fui até o tubo. Daí pra frente, nada de anormal aconteceu (Pelo menos comigo).”
Dessa minha estória, podemos encontrar pelo menos quatro pontos-de-vista diferentes. Separaremos então quatro grupos:
1 - Do motorista;Um profissional que está cumprindo ordens, e que tomou as dores dos que ainda não entraram.
2 - Dos passageiros;Pessoas com seus compromissos, que acordaram cedo, pois são responsáveis e cumprem seus respectivos deveres. Porém, um pouco “impacientes e não-compreensivos”.
3 - Das pessoas que queriam ser passageiros;Pessoas que não entraram, e que também são tão responsáveis quanto os passageiros que já entraram. Só um pouco azaradas em relação à lotação do ônibus.
4 - O daquela boa senhora (e o de mais algum que eu não saiba);
Pessoas que também possuem compromissos tanto quanto os três acima.
Agora analisem os fatos. Será que se invertermos os três primeiros grupos, o ponto-de-vista de cada um seria o mesmo?
Bom, eu creio que a grande maioria mudaria. E sabe o por quê? Porque na verdade eles não possuem ponto-de-vista formado. Eles apenas se comportam como animais irracionais que agem pelo instinto de acordo com a situação. E que instinto é esse? O que está por trás desses cérebros, o que os governa? O mais puro egoísmo e a mais desprezível das ignorâncias, a ignorância da vida, que não compreende os laços de afetividade da qual fomos instruídos a dominar.
Fomos instruídos a amar o próximo como a si mesmo, fomos instruídos a perdoar aqueles que nos ofendem. E para os que não acreditam em DEUS e na bíblia, praticar esses ideais também são recomendado pela mais alta ciência e filosofia. Além de benefícios espirituais, até esse corpo no qual habitamos se beneficia dessas boas práticas.
Adianta ficar nervoso? Vai resolver alguma coisa? Pensem o seguinte: Se você tem o controle da situação, e a pode controlar com tranqüilidade, não há motivo pra ficar nervoso, certo? E se você não possui o controle e nada pode fazer, que adianta se preocupar, falar mal e perder a cabeça? Nada, exatamente nada será alterado, a não ser o seu nível de estresse que irá disparar e seu sistema cardíaco que irá ganhar algumas lesões.
A minha esperança é que as pessoas, lendo esse texto ou não, tomem consciência do verdadeiro rumo que devem tomar na vida. É muito melhor um amigo, por mais que falho e defeituoso, do que um inimigo perfeito.
Somos todos iguais, e apenas as nossas ações nos diferenciam. Não permita que suas ações ruins façam com que seja classificado por elas.
Creio que quanto menos mal fizer, melhor viverá. E se fizer o bem, melhor ainda.
Um abraço.
Guilherme Gabriel